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História: Ford F-4000

Conheça a história da Ford F4000, o caminhão de maior sucesso da Ford no Brasil, fabricado entre 1975 e 2011, e de 2014 a 2019, mas a história dos caminhões 3/4 da Ford começou bem antes, em 1959, com a F350 e vou contar a história do começo.

Primeira geração

F350-Antiga-1960
F350-Antiga-1960 – Reprodução/Internet

A primeira geração da Ford F350 foi lançada em 1959, era idêntica ao seu irmão maior, F600 e a sua irmã menor, a picape F100 (de quem se originava a cabine de todos os caminhões Ford), ambos lançados em 1957. Vinha com frente com 2 faróis redondos e grade dianteira branca com V  no centro, indicando que usava um motor V8 (foto acima). Usava o mesmo motor Ford Power King 272 V8 4.5 litros de 167 cv de potência a gasolina e câmbio manual de 4 marchas da F100 e do F600. Era o primeiro caminhão leve do Brasil, sem nenhum concorrente até então.

Segunda geração

Ford F350 1962
Ford F350 1962

Em 1961 o F600 ganhou a opção de motor a diesel, um 6 cilindros Perkins, com 128 cv. Em maio de 1962, a Ford apresentou a segunda geração de picapes e caminhões Serie F, chamada de “SuperFord”. Tanto o Ford F350 quanto o F600, ganharam nova cabine mais moderna da F100, com para-lamas integrados e nova frente com 4 faróis, pedais suspensos, estribos embutidos e sistema de ventilação interna melhorada. Com capô mais amplo, a área de ventilação do motor aumentou. Além do novo design, a serie F ganhava sistema de ventilação mais eficiente, com regulagem do ar no painel, embreagem hidráulica, melhor localização dos cilindros mestres do freio e embreagem e novo sistema de regulagem do banco. A mecânica continuava a mesma.

Ford F350 1970
Ford F350 1970

Em 1967, a segunda geração recebe um facelift e ganha nova frente, com 2 faróis retangulares, sendo essa a principal mudança na linha. Em 1970, o motor V8 4.5 dá lugar ao V8 4.8 litros com 190 cv de potência, como resposta ao lançamento do seu primeiro concorrente, o Dodge D400, lançado em 1969 (modelo 1970), com um forte motor V8 5.2 litros de 203 cv de potência a gasolina. O motor era o mesmo 292 usado desde 1957, mas com as adaptações obtidas a partir do aumento do diâmetro dos cilindros, solução lançada em 1969, no Galaxie LTD.

Terceira geração

Ford F350 1972
Ford F350 1972

Em maio de 1971, a Ford apresenta a terceira geração de picapes e caminhões, na linha 1972, chegam a F100, F350, F600 e o novo lançamento, o caminhão F750, equipado com motor Perkins de 140 cv. A nova frente tinha  2 faróis redondos e design mais moderno, com linhas mais quadradas. F100 e F350 tinham visual idêntico, enquanto os caminhões médios e pesados, a partir da terceira geração, tinham visual diferente, apesar de usarem a mesma cabine, isso virou uma tendência, até a quinta geração de caminhões serie F sair de linha no Brasil, em 2006.

Primeiro concorrente a diesel

Mercedes-Benz 608D
Mercedes-Benz 608D

Em 1972, a Mercedes-Benz lança o 608D, com motor Mercedes OM314, um 3.8 litros a diesel de quatro cilindros, que gerava 85 cv de potência.

Lançamento da Ford F4000, primeiro caminhão leve a diesel da Ford

Ford F4000 da década de 1970 – Foto: Reprodução/Internet

Em 1975, o mundo já vivia a crise do petróleo, no dia 15 de maio de 1975, a Ford lança os caminhões F400 e F4000, este último equipado com o motor MWM 226 3.9 a diesel, com 83 cv de potência e 26,3 kgfm de torque, acoplado a um câmbio de 4 marchas.

Ford F350-F400-F4000
Ford F350/F400/F4000 A Ford F350 saiu de linha com o lançamento da F400 e da F4000 – Divulgação/Ford

A versão à gasolina foi mantida com o nome de F-400, com motor V8 a gasolina, permanecendo no mercado até 1977, e a F350 era oferecida com um chassi mais curto, mas logo foi descontinuada. Tanto F4000 quanto F400, tinham 4,03 m de distância entre eixos, 60 cm a mais do que o F-350, do qual derivavam e herdaram a cabine. Logo após o seu lançamento, a F-4000 se tornou um sucesso de vendas em todas as regiões do Brasil, principalmente no interior do país. Com capacidade para 3.556 kg, a Ford F-4000 foi o segundo caminhão três quartos com motor a diesel no Brasil, depois do MB 608D.

Segundo concorrente a diesel: Dodge D400

Dodge D400: Motor diesel Perkins – Foto: Reprodução/Internet

A Chrysler também colocou no Dodge D400, um motor Perkins de quatro cilindros à diesel com 72 cv , em 1976, mas não foi páreo para a F-4000. Em 1982, o Dodge D400 sai de linha, no seu lugar entram os Volkswagen 6-80 e 6-90, com motores Perkins e MWM respectivamente, e cabine avançada sobre o motor.

Terceiro concorrente a diesel: Fiat 70 e 80

No salão do Automóvel de 1976, a Fiat apresenta o seu caminhão Leve, o Fiat 70, com capacidade para 4,5 t e três versões (C, N, L, entre-eixos entre 3,0 e 4,4 m). O motor era um quatro cilindros de 4.9 litros  diesel com 90 cv e 31,0 kgfm de torque, acoplado a uma caixa de cinco velocidades (as quatro superiores sincronizadas), duas relações de diferencial, freios hidráulicos com duplo circuito, direção mecânica e suspensão (dianteira e traseira) com molas semi-elípticas de duplo estágio.

Fiat 80 Diesel
Fiat 80 Diesel – Foto: Internet

No Salão do Automóvel de 1978, a Fiat apresenta o Fiat 80 para substituir o Fiat 70, com novo para-choque e leve retoque na dianteira, recebeu o novo motor 5.5 com 100 cv, sendo o caminhão leve mais potente do mercado e teve a capacidade de carga aumentada para 5,3 toneladas. Saiu de linha em 1982, durando menos de 4 anos, devido às vendas insatisfatórias e a crise financeira do país na época.

Quarto concorrente: Puma

Puma 4T
Puma 4T – Foto: internet

O primeiro caminhão Puma foi lançado no início de 1979, o modelo 4.T, para 4 toneladas, com cabine avançada fixa de fibra de vidro e arquitetura convencional: com eixos rígidos com feixes de molas e freios hidráulicos a tambor. Tinha 3 opções de motores diesel: dois de quatro cilindros (Perkins de 3.860 cm3 e 77 cv e MWM de 3.922 cm3 e 83 cv) e um de três cilindros (Detroit), todos acoplados a uma caixa de quatro marchas. As fracas vendas fizeram com que a produção logo fosse encerrada, voltando em 1995, mas durando menos de 2 anos.

Ford F1000 e F2000

Ford F1000 1979
Ford F1000 1979 – Foto: Divulgação/Ford

Em 1979, a Ford lançou a picape F-1000, versão à diesel da F-100, que permaneceu com o mesmo nome para as versões à gasolina e álcool, até 1985, quando as versões à gasolina e a rara versão a álcool passaram a se chamar F1000 também. A principal diferença entre F100 e F1000 era a capacidade de carga, de 660 kg e 1000 kg, respectivamente.

Ford Serie F leves
Ford Serie F leves

Em 1980, chega a F-2000, com o mesmo motor diesel MWM da F-4000 e capacidade para 2 toneladas, permanecendo no mercado até 1985.

Motor Ford 4.4 diesel
Motor Ford 4.4 diesel

Ainda no começo da década de 1980, a linha F2000 e F4000 ganhou uma nova opção de motor, o motor Ford FTO 4.4 diesel de 89,7 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, com injeção direta de combustível.

Ford FB4000
Ford FB4000

Em 1982, a Ford apresenta o microônibus FB4000, montado sobre o chassi da F4000, em parceria com a Marcopolo.

Terceiro concorrente com cabine avançada: VW 6.80/6.90

Primeiro caminhão 3/4 da Volkswagen – Divulgação

Em 1982, a Volkswagen lança os modelos 6-80, com motor Perkins 4.236 (mesmo da D10) e 6.90, com o mesmo motor MWM 229/4 que equiparia a F4000 a partir do ano seguinte.

Em 1983, o motor MWM 226, popularmente chamado de “camisa seca”, foi substituído pelo MWM 229, que já equipava a F1000 desde o seu lançamento.

Primeira reestilização da F4000

Foto: Divulgação/Ford

Em 1985, a Ford lança a linha1986, veio a primeira reestilização, quando a F-4000 ganhou nova grade dianteira com quatro faróis quadrados e design mais moderno. Por dentro, a ventilação da cabine mudou e o banco, antes inteiriço, passou a ser individual para o motorista, 1/3 e 2/3.

Primeiro concorrente da GM: Chevrolet D40

Chevrolet D40
Chevrolet D40 – Foto: Internet

Em 1985, a GM lança a Chevrolet Serie 40, nas opções A40, C40 e D40, a álcool, gasolina e diesel, respectivamente, na linha 1986. O motor da versão a diesel, responsável  por 4/5 das vendas era o mesmo Perkins Q20B4, com 90 cv da D20. A D40 permaneceu no mercado até 1995, sem ameaçar a hegemonia da F-4000. Nas picapes, apesar da F1000 vender bem, a Chevrolet D20 sempre levou a melhor, mas na briga dos caminhões 3/4, a F4000 dominava o mercado.

Mais um concorrente: Agrale 1600

Ao mesmo tempo que a F4000 era reestilizada, a Agrale lançava o caminhão 3/4 1600D (diesel) e 1600A (álcool), com o mesmo motor MWM 229/4 da F4000, na versão a diesel. O Agrale 1600D foi o primeiro caminhão leve com opção de tração 4×4, algo que chegaria na F4000 somente em 2007. No Salão do Automóvel de 1988,  a marca gaúcha lança o Agrale 1800D, equipado com o motor Perkins Q20B4, mesmo da D20/D40. Os caminhões Agrale continuam sendo produzidos até hoje.

Quarta geração da Serie F, segunda da F4000

Foto: Reprodução/internet

Em 1992, a Ford lançou a linha 1993, de segunda geração, que seguia o desenho da F1000, agora com dois grandes faróis retangulares e linhas mais retas, estilo da Serie F estadunidense de 1987. O caminhão mudou totalmente por dentro também, ganhou novo volante de 2 raios (mesmo que seria usado na Pampa a partir de 1994), novo painel e novos bancos. O motor continuava o mesmo MWM 229, com 87 cavalos aspirado, diferentemente da F1000, não existia a opção de motor turbinado para a F4000, embora o mesmo motor turbinado equipasse o VW 7.110 Turbo, lançado na mesma época da F1000 Turbo, no final de 1990.

Primeiro concorrente interno da F4000

Em 1995, a Ford apresenta o Ford cargo 814 (PBT de 7,7 t), primeiro modelo leve da linha Cargo, com a mesma cabine basculante, motor diesel Cummins (quatro cilindros turbo com intercooler, 3,9 l e 140 cv), com caixa de cinco velocidades com redução no eixo traseiro. Era um concorrente interno da F4000, mas foi feito para brigar com os caminhões 3/4 da Volkswagen.

Segunda tentativa da GM

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GMC 1-100/6-150 – Foto: Divulgação

Em 1996, a GM lançou a marca GMC no Brasil, com os caminhões 6-100 e 6-150, para brigar diretamente com a F4000, mas assim como a D40/D6000, os caminhões também não emplacaram e foram descontinuados em 2002, juntamente com o restante da linha GMC. O 6-100 era equipado com o motor Maxion S4 com 90 cv, mesmo motor que equipou o D40/D6000 e o 6-150 era equipado com motor MWM Sprint 6 cilindros e 18V turbo diesel, com 148 cv de potência da Silverado, sendo o único caminhão 3/4 seis cilindros produzido no Brasil até hoje.

Facelift e primeiro motor turbo

Foto: Reprodução/internet

Em  1996, a Ford lança a linha 1997, a segunda geração recebeu um facelift,  ganhando novos faróis menores e piscas embaixo dos faróis, ficando igual a Serie F lançada nos EUA em 1992. Por dentro, pouca coisa mudou, incluindo o painel de instrumentos. Eram duas opções de motores, ambas 4 cilindros: Cummins Serie B 3.9 litros  turbo com 110 cv de potência e 37,3 kgfm de torque e MWM Serie 10, 4.3 litros turbo com intercooler, com 135 cavalos e 41,2 kgfm de torque (mesmo da F1000), era a resposta da Ford aos GMC 6-100 e 6-150.

Quinta geração da Serie F, terceira geração da F4000

Foto: Reprodução/internet

Em 1998, a Ford apresentava a linha 1999. A terceira geração ganhou o visual da F250, já que a F1000 tinha acabado de sair de linha. Seu motor era o Cummins Aftercooler turbo com intercooler, com 135 cv de potência e câmbio ZF de 5 marchas, com overdrive. A F4000 ganhou freios a disco e ABS na traseira, além de ar-condicionado e rádio/CD player como opcionais. Por dentro, tudo novo, novos bancos com apoios de cabeça, novo painel moderno com odômetro digital e volante da F250, com regulagem de altura, além de cinto de segurança de 3 pontos regulável em altura. Os caminhões Ford F12000 e F14000 também recebiam a cabine da F250 e ficaram conhecidos como “pit bull”, e foi lançado o F16000.

Foto: Reprodução/Internet

A partir de 2002, com o fim da produção do 6-100/6-150, a Ford F-4000 não tinha mais nenhum concorrente com motor na frente da cabine e capô longo, apenas o Mercedes-Benz 710 tinha motor dianteiro, mas com capô curto, os outros modelos com capacidade de carga semelhante eram apenas os caminhões com cabine avançada das marcas Mercedes-Benz, Volkswagen, Agrale e o Cargo, da própria Ford.

Em 2005, a F4000 ganhou novo motor Cummins com 120 cv de potência e 46,4 kgfm de torque, atendendo às normas de emissões Euro III. Os caminhões F12000/14000 e F16000 saíram de linha, por não atenderem os a nova legislação.

Versão 4×4 e fim de linha

Foto: Reprodução/internet

Em 2007,  foi apresentada a versão 4X4 da F4000. Em 2011, a Ford descontinuou a produção, depois de 36 anos de produção e de 54 anos da chegada da série F ao Brasil. A F4000 e a F350 foram os últimos caminhões da série F e saíram de linha, juntamente com a picape F250.

Volta da F4000

Foto: Divulgação/Ford

Em 2014, a Ford anunciou a volta da Série F, com F-4000 e F350, para a alegria dos fordeiros, com ar-condicionado e feios ABS com EBD de série. O motor era o novo e moderno Cummins ISF 2.8 de 4 cilindros, com 150 cv de potência e 36,7 kgfm de torque, com injeção eletrônica Common Rail, acoplado a transmissão manual de 5 marchas Eaton FSO 4505 D.

Ford F4000 cabine tripla Tropical
Ford F4000 cabine tripla Tropical

A Tropical Cabines, fábrica de cabines e versões especiais de caminhões e picapes Ford, fez várias versões de cabines da F4000, picape cabine simples longa, com caçamba de aço, cabine dupla com 4 portas e cabine tripla, de 6 portas.

Fim de linha, desta vez sem volta

Em 2019, a Ford anuncia o fechamento da fábrica de caminhões de São Bernardo do Campo, chegando ao fim a produção da Ford F4000, da F350,  de toda a linha Ford Cargo e do Fiesta. Com o fim da produção dos caminhões Ford no Brasil, a Tropical Cabine também fechou a sua fábrica, em Marechal Cândido Rondon, no Paraná.

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3 Comentarios

  1. Meu sonho pena que nao tenho di heiro para posuir um desse

  2. Excelente resumo histórico, só um ponto a corrigir , os caminhões Agrale 1600D e 1600D 4×4 tinha motor MWM 229-3 , o 1800D em sua maioria foram produzidos com MWM 229-4 e bem poucos com Perkins.
    Faltou citar também uma importante mudança na linha F que eram o uso da suspensão dianteira independente com mola helicoidal de 71 até 1998 .

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